quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Novas turmas dos cursos on line EcoBuilding Fórum - Como se Tornar um LEED GA / Construção Sustentável - Conceitos, Técnicas e Tecnologias

Esta semana estamos iniciando mais uma turma do curso online "Como se Tornar um LEED GA" do EcoBuilding Fórum. Será a terceira em 5 meses. Além disto, estamos também inaugurando um novo curso online: Construção Sustentável - 
Em Julho 2016, quando iniciamos a primeira turma do curso "Como se Tornar um LEED GA", pioneiro via internet no Brasil, respondendo a uma demanda que já há muito havia notado e que agora podemos atender, possibilitamos às pessoas estudarem sem sair de casa, com material adequado e bem elaborado para oferecer uma boa orientação e preparação para aprovação nos exames de credenciamento LEED. 

Menos de uma semana após a conclusão da primeira turma do curso online, já temos novos profissionais credenciados aprovados no exame após terem feito o curso. Ficamos felizes em poder ajudar.

Tivemos também a satisfação de receber uma avaliação excelente do curso por parte dos participantes, que tiveram suas expectativas inclusive suplantadas, com avaliação "muito bom" ou "excelente" para mais de 95% das respostas dos alunos a respeito do curso, em aspectos como: Atendimento, Estrutura, Qualidade das Aulas e do Aprendizado. Veja alguns depoimentos dos participantes clicando aqui.

Em breve teremos outros novos cursos sendo oferecidos via internet pelo EcoBuilding Fórum. Estamos trabalhando para oferecer sempre cursos de alto nível e bem elaborados. 

Acreditamos, com isto, favorecer o desenvolvimento profissional e a capacitação e atualização técnicas para a promoção da construção Sustentável no Brasil.


Você também pode colaborar, compartilhando esta informação entre seus grupos profissionais e com quem mais achar que poderá se beneficiar. Recomendo também que se cadastre pelo site, para que possamos mantê-lo(a) informado(a) quanto às próximas novidades.

Obrigado e até breve.

Arq. Antonio Macedo Filho
LEED AP BD+C / DGNB Consultant

Para mais informações e inscrições:
(11) 3868 2722 / 964153616
cursos@ecobuildingforum.com.br 
www.ecobuildingforum.com.br


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Novas certificações e o amadurecimento do mercado da Construção Sustentável no Brasil

Delegação Brasileira para a GreenBuild 2016, no
Los Angeles Convention Center 
Neste mês de outubro tive oportunidade de participar de mais uma edição da GreenBuild Conference and Expo, realizada em Los Angeles, Califórnia, liderando uma delegação de profissionais do Brasil em uma missão técnica que envolveu também visitas em São Francisco e Vale do Silício, organizada pela ArqTours com apoio do Dep. de Comércio do Consulado dos EUA no Brasil.

Na ocasião, tivemos contato mais próximo com profissionais envolvidos e pudemos conhecer alguns casos de sucesso de aplicações de novas certificações ambientais de empreendimentos sustentáveis, que inclusive estão também começando a ser aplicadas no Brasil, razão por que julgo oportuno comentar aqui.

Com Mahesh Ramanujam, Presidente
do GBCI e COO do USGBC
A certificação LEED, como provavelmente sabem, segue em expansão em todo o mundo, e também no Brasil, marcando passo e liderando o movimento em direção à popularização da construção sustentável. Tenho percebido, estimulado e contribuído, como professor e consultor para processos de certificação, juntamente com nossa equipe da EcoBuilding, que a aplicação do LEED está também sendo difundida em casos de empreendimentos menores, de padrão médio, promovidos por empreendedores médios e até pequenos, que perceberam que podem também se beneficiar das vantagens que o processo promove.

Estamos também atuando em processos de certificação AQUA-HQE de empreendimentos que aderiram ao programa Minha Casa, Minha Vida, do segmento econômico, portanto, mas que também têm ganhos em valor agregado decorrentes dos benefícios que serão alcançados, e também com alguns casos para os quais estamos aplicando o Referencial GBC Brasil Casa, que está sendo evoluído para envolver também Condomínios Sustentáveis.

Mas está também ocorrendo um movimento em direção a uma ainda maior diversificação das opções em se tratando de certificações ambientais de empreendimentos sustentáveis. 

No primeiro semestre de 2016, foi concluído o primeiro caso de residência certificada LEED for Homes no Brasil, em São Paulo, demonstrando ser possível a aplicação do sistema no país (Parabéns, Lourdes e Cristina).

Há um par de meses, foi concluído o processo de certificação do primeiro caso de empreendimento certificado BREEAM In-Use na América do Sul, uma propriedade do SEBRAE em Cuiabá, MT (Parabéns, Lilian. Congrats, Cris). O BREAAM é a pioneira das certificações, criada em 1990 pelo BRE - Building Research Establishment, renomado centro de pesquisas da construção britânico. Há pelo menos mais um outro caso em andamento no Brasil, até onde sei.

Com Jason McLennan, criador do Living Building Challenge
e fundador do International Living Future Institute
Há pouco tempo, fomos consultados sobre um caso de um empreendimento para a saúde no Sul do Brasil, cujas obras se iniciarão em breve, e que será certificado LEED e também Living Building Challenge, certificação de origem também estadunidense, considerada de terceira geração, e que preconiza o conceito do edifício de impacto zero, neutro, se possível, em energia, água e resíduos. É um desafio e tanto (Parabéns, Arthur e Adriana pela iniciativa. Espero que dê certo).

Com Stephen Brown, Vice-Presidente da Delos,
criadora da certificação WELL
e do International WELL Building Institute 
Mais recentemente ainda, neste mês de outubro 2016, foi confirmada a certificação do primeiro empreendimento WELL do país, os escritório da Setri Consultoria em São Paulo (Parabéns Marcos, Eduardo e Luíza). A certificação WELL avalia e premia estratégias que promovam a qualidade dos ambientes, a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas. Entendo se tratar de uma evolução importante, e um estímulo ao desenvolvimento de cada vez melhores projetos. Tive oportunidade de visitar alguns casos certificados WELL em Los Angeles este mês durante a GreenBuild e posso afirmar que de fato são mesmo muito bons.

Também este mês foi lançada no Brasil, numa iniciativa da CBIC - Câmara Brasileira da Indústria da Construção, a certificação EDGE, sistema de identificação de Green Buildings que utiliza um software gratuito e que promete simplificar (e baratear) o processo de certificação de empreendimentos sustentáveis, tornando-o acessível a um número ainda maior de empreendedores. Trata-se de um sistema que tem sido muito bem aceito, em especial em países em desenvolvimento.

Estamos também presenciando um verdadeiro pipocar de iniciativas de políticas públicas municipais para incentivos à construção sustentável, que certamente repercutirão em ainda maior número de municípios por todo o país, com as novas gestões que tomarão posse em janeiro de 2017.

São indicadores que considero relevantes. Acredito que estamos diante de um novo patamar no mercado da construção sustentável no Brasil, que assim se consolida como a principal referência no continente sul-americano. Estamos presenciando o amadurecimento do mercado e a consolidação da percepção da importância da construção sustentável para os negócios na indústria da construção, em diferentes segmentos.


Estou certo de que, com a retomada do crescimento da economia brasileira em 2017, com maior consciência e percepção de valor na sustentabilidade e mais opções de sistemas de certificação para Green Buildings, teremos condições dar maior impulso ao setor da construção sustentável no Brasil e colaborar de forma ainda mais efetiva para o desenvolvimento sustentável do país.

Em tempo: Comento que estamos trabalhando para oferecer ao mercado, já a partir do início de 2017, pelo EcoBuilding Fórum, oportunidades de aprofundamento e capacitação técnica em todos estes sistemas de certificação, inclusive com cursos online, bem elaborados por profissionais especialistas em cada tema. Cadastre-se pelo site para se manter informado: www.ecobuildingforum.com.br.

Até breve.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Novo Curso Online EcoBuilding Fórum: "Construção Sustentável - Conceitos, Técnicas e Tecnologias para Green Buildings"

Dando sequência ao Programa de Educação Continuada à Distância para Capacitação em Construção Sustentável do EcoBuilding Fórum, com satisfação estamos lançando um novo curso online, com formação da primeira turma em Novembro 2016: 

"Construção Sustentável - Conceitos, Técnicas e Tecnologias para Green Buildings".

video

Trata-se de um curso completo, que aborda todos os aspectos fundamentais para uma abrangente e bem fundamentada compreensão do universo dos Green Buildings, bastante ilustrado, com apresentação e comentários de casos de sucesso no Brasil e no mundo, muitos destes empreendimentos de referência que já tive oportunidade de conhecer em visitas técnicas realizadas durantes as missões internacionais EcoBuilding / ArqTours ao longo dos anos.

Vejam no vídeo apresentação do curso, programa, objetivos e conteúdos.


video

Com esta versão online, uma evolução atualizada do curso presencial já realizado em dezenas de ocasiões para centenas de profissionais e estudantes de todo o Brasil, sempre com excelente avaliação, temos oportunidade de facilitar para colegas de distintas regiões o acesso a informações elaboradas, organizadas, ilustradas e fundamentadas por vivências e experiências de anos em docência, projetos e consultorias em construções sustentáveis.

São muitos conteúdos e experiências compartilhados. Trata-se de fato de um curso muito rico e denso, que pode agora ser feito por meio da plataforma de ensino à distância EcoBuilding Fórum.

Para mais informações e inscrições:
(11) 3868 2722 / 96415 3616
cursos@ecobuildingforum.com.br
www.ecobuildingforum.com.br

Construção civil de baixo e médio padrão começa a obter certificados de sustentabilidade

No Domingo 16/10/16, o caderno Sobre Tudo, da Folha de S. Paulo, abordou os empreendimentos da construção civil de baixo e médio padrão que começam a obter certificados de sustentabilidade. Como exemplo, o jornal traz os projetos dos residenciais da construtora Hausbau, os chamados Klubhaus, a serem construídos nas cidades de Cajamar e Jundiaí (próximas de São Paulo) e que conquistaram a certificação AQUA-HQE, com consultoria EcoBuilding.

KlubHaus Jundiaí, HausBau Incorporações - Consultoria AQUA-HQE: EcoBuilding
Os trabalhos de consultoria se iniciaram há mais de um ano, já conquistamos as certificações de Pré-Projeto e Projeto e as obras dos empreendimentos estão para se iniciarem. Uma das premissas que tivemos que considerar desde o início do processo foi a não agregação de custos significativos no valor de obra dos empreendimentos, compromisso que pretendemos atingir com sobre-custo de não mais do que 2%.

Com apartamentos de 50 à 75 m² e na faixa de R$ 180 a R$ 400 mil reais − o que, em média, representa um poder aquisitivo de uma renda mensal familiar em torno de R$5 mil a R$12 mil − os projetos possuem arquitetura desenvolvida pelo escritório CLLB Arquitetura.

O escritório, entre as propostas, especificou grandes caixilhos para favorecer a ventilação e iluminação naturais; geração de energia por meio de painéis de células fotovoltaicas para abastecer a energia das áreas comuns; captação de águas pluviais para uso na limpeza das áreas de estacionamento e luminárias externas e de áreas comuns de LED. Nas áreas comuns, a previsão de economia de energia deverá ser de 17% à 25% e de água de 25% à 35%.

Matéria publicada na Folha de São Paulo, em 16 de Outubro de 2016








Popular e Sustentável

Além de reduzir o impacto ambiental, residências que levam algum selo de sustentabilidade são mais econômicas e tendem a se valorizar para venda e locação. Dados de uma pesquisa realizada em casas do programa federal de habitação popular Minha Casa, Minha Vida em Divinópolis (interior de Minas Gerais), que possuem o selo Casa Azul, da Caixa Econômica Federal, demonstram que as contas de água e energia elétrica são cerca de 30% mais baratas nas residências com certificado do que em casas sem o selo.

O responsável pelo desenvolvimento de negócios da certificação AQUA-HQE, na Fundação Vanzolini, Bruno Casagrande, afirmou que, “por causa da maior eficiência, em vários países o valor de venda do imóvel com selo sustentável é superior. Daqui a cinco anos já veremos essa tendência no Brasil”.

A certificação AQUA-HQE baseia-se em 14 objetivos de desempenho que devem ser atingidos em níveis base, boas práticas e melhores práticas, ultrapassando as exigências que correspondem à regulamentação vigente ou prática corrente, distribuídas equilibradamente em conforto, saúde e baixo impacto ambiental.

Desde 2008, ano do lançamento no país, a chancela alcançou o número de 432 edificações e mais de 43.000 unidades habitacionais certificadas. Os empreendimentos são avaliados por meio de auditorias presenciais e certificados nas fases pré-projeto, projeto, execução ou operação e uso.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A Evolução e o Futuro da Energia Eólica no Brasil

Por: Estadão Projetos Especiais - Jornal O Estado de São Paulo

No contexto mundial, o Brasil já ocupa a 10ª posição no ranking das nações produtoras de energia eólica em capacidade instalada. O potencial de geração de energia eólica no País é estimado em 350 GW, com grande parte dessa capacidade localizada no Nordeste e Sul do País. Os estudos da ABEEólica também apontam potenciais nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, entre outros.

Só em 2014, foram instalados 96 novos parques eólicos, que somaram à matriz elétrica 2.495,5 MW de potência. Os estados contemplados com os novos empreendimentos foram Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia, Pernambuco e Piauí. Com esse aumento da capacidade instalada, a fonte eólica passou a representar 5% da matriz elétrica brasileira.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, em apenas um dia (20 de julho), foram produzidos 2.989,2 megawatts médios (MWmed) de energia gerada pela força dos ventos — o suficiente para o abastecimentos de cerca de 13 milhões de pessoas, levando-se em conta um consumo de energia elétrica residencial de 166 KWh/mês. Em oito anos, a expansão dos parques eólicos pode fazer a produção representar 11% do total, contribuindo amplamente para melhorar a qualidade do abastecimento da energia elétrica no Brasil.


Molde das pás de energia eólica, que medem geralmente entre 50 e 60 metros,
na fábrica da Siemens, empresa que participa de 18 projetos do setor no Brasil
Histórico

Utilizar a energia gerada pela força dos ventos faz parte da matriz energética nacional desde 1992, com o início da operação comercial da primeira turbina eólica, de 225 kW, em Fernando de Noronha (PE). A iniciativa foi resultado de uma parceria entre o Centro Brasileiro de Energia Eólica (CBEE) e a Companhia Energética de Pernambuco (CELPE), por meio do financiamento do instituto de pesquisas dinamarquês Folkecenter.

Nos dez anos seguintes, avançou-se pouco na consolidação da energia eólica como alternativa na geração de energia elétrica no País, em parte pela falta de políticas que focassem a fonte, mas principalmente pelo alto custo da tecnologia. Durante a crise energética de 2001, entretanto, foi criado o Programa Emergencial de Energia Eólica (Proeólica) com o objetivo de contratar 1.050 MW de projetos de energia eólica até dezembro de 2003, sendo substituído pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Este último, além de incentivar o desenvolvimento das fontes renováveis na matriz energética, abriu caminho para a fixação da indústria de componentes e turbinas eólicas no Brasil.

Desde então, os números não param de crescer. De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), hoje a capacidade instalada de geração eólica é de cerca de 7 GW. As estimativas para o final de 2017 indicam 14.3 GW de eólica instalados na matriz elétrica brasileira.
Fonte: ABEEólica
Segmento em expansão
O aumento da importância e competitividade da energia eólica em comparação com outras fontes vem atraindo empresas e investidores para participar nos leilões de geração de energia agendados pelo governo federal. Os projetos de energia eólica foram maioria, por exemplo, no Leilão de Energia Elétrica A-3 (com entrega a partir de 2018), que ocorreu no dia 21 agosto: de 371 projetos habilitados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 338 foram projetos eólicos.



Especialmente no Nordeste, região com ótimas condições para a geração dessa energia proveniente da força dos ventos, várias empresas têm se interessado em investir no enorme potencial eólico brasileiro. A Siemens, por exemplo, participou de 18 projetos de energia eólica no Brasil, um dos principais mercados globais para a empresa em campos onshore (em terra) e o segundo maior mercado das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos.

Nesses projetos, a empresa instalou até o ano passado 205 aerogeradores nos Estados de Pernambuco, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte. Apenas para a Tractebel Energia foram 63 turbinas em cinco novos parques eólicos, somando uma capacidade de 145 MW.

A Siemens espera aumentar sua participação na diversificação das fontes de energia no País, em especial a eólica. Afinal, além de contribuir para a oferta energética, o uso de aerogeradores tem outro benefício: já que a energia produzida pelas turbinas eólicas substitui a necessidade de se gerar essa mesma energia por outras fontes não limpas, o uso da fonte acaba por evitar a emissão de CO₂. Com base na capacidade instalada atual, isso significa mais de 6,7 milhões de toneladas de CO₂ por ano que deixaram de ser emitidas, o equivalente a cerca de 4 milhões de automóveis.

Certificação EDGE chega ao Brasil

Fonte: CBIC Mais, informativo da CBIC - Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Setembro 2016

Chega ao mercado latino-americano o EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies), sistema de certificação de construções sustentáveis, criado pelo IFC (International Finance Corporation) – braço do Banco Mundial para o financiamento privado.

No esforço global para minimizar os efeitos das mudanças climáticas, a indústria da construção passa a ter um papel de destaque na redução das emissões de gases de efeito estufa. Segundo dados do Banco Mundial, o setor representa 18% do total das emissões no mundo, além de ser responsável por 60% do uso de energia, 25% do uso total de água e 40% do uso de materiais. A construção sustentável é uma agenda positiva tanto para a iniciativa privada quanto para o setor público, pois hoje já existe um crescente processo de conscientização do mercado brasileiro em relação aos conceitos de sustentabilidade. 

O país vive momento muito difícil e o lema da CBIC tem sido a necessidade de virarmos a página. Temos buscado ideias criativas e que tragam impacto também na sustentabilidade, afirmou o presidente da CBIC, José Carlos Martins, destacando a importância da parceria com o IFC. Queremos tra- zer o EDGE pra cá, avisou. Presidente da CMA, o engenheiro Nilson Sarti destacou os avanços produzidos nesse campo, com a geração de novos negócios também no Brasil e em diversos setores, incluída a construção civil. Sustentabilidade é business, não é sonho, afirmou. 

Nilson Sarti, presidente da CMA/CBIC; José Carlos Martins, presidente da CBIC; Sônia Bridi, jornalista especializada em sustentabilidade e os autores das publicações sobre Energia Renovável, Osvaldo Soliano, e Recursos Hídricos, Orestes Gonçalves, durante a 3ª Reunião Ordinária da CMA, no Rio de Janeiro.
A adoção de critérios de sustentabilidade, portanto, é um imperativo da área. Dessa forma, tornam-se cada vez mais importantes as certificações ambientais na construção civil, com o objetivo de fomentar e comprovar a redução do consumo de insumos cada vez mais raros, como água e energia. 

Atenta a essa tendência mundial, a Comissão de Meio Ambiente (CMA) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em correalização com o SENAI Nacional lançou nesta sexta-feira as publicações: Gestão de Recursos Hídricos na Indústria da Construção – Uso eficiente da água em edifícios residenciais e Gestão Eficiente da Energia na Indústria da Construção – Energia solar fotovoltaica em condomínios oportunidades, aplicações e boas práticas. As publicações estarão disponíveis para download no site da CBIC, na área da CMA.

Na sexta-feira 23/09/16, a certificação EDGE foi apresentada aos empresários do setor e associados da CBIC durante a 3ª Reunião Ordinária da CMA, ocorrida no Rio de Janeiro, na sede da Ademi-RJ. A convite da comissão da CBIC, esteve presente o consultor do Green Buildings do IFC no Brasil, Edward Borgstein, para quem já existe uma infraestrutura de certificação disponível, a partir dos parceiros globais que têm presença no Brasil. 

A CBIC Mais conversou com o líder do Programa de Cidades e Negócios Sustentáveis para a América Latina e Caribe do IFC, Kristtian Rada, sobre o EDGE. Para ele, o software não terá grandes custos aos empresários brasileiros, por isso poderá ser utilizado por pequenas e médias empresas da construção civil nacional. “O sistema prova que importantes melhoras no desempenho sus- tentável do projeto não acarreta necessariamente em aumento de custos.”, afirmou. Segundo Rada, o Brasil é um dos mercados potenciais mais importantes da América Latina para a disseminação dessa nova ferramenta de certificação. Leia os principais trechos da entrevista:

O que é a certificação EDGE? Qual é a importância da certificação em âmbito internacional?

Kristtian Rada – O EDGE é uma certificação que simplifica o processo para obter as credenciais de um edifício verde. A base é um sistema online, de fácil utilização e de livre acesso, que permite a rápida avaliação da performance do edifício nas três áreas mais importantes: energia, água e materiais. Com o uso do sistema online, o desempenho é comparado com uma linha de base que representa uma construção típica de cada região. A certificação EDGE é adquirida quando se consegue um desempenho de 20% melhor que a linha de base nas três áreas. O objetivo é que a obtenção da certificação incentive importantes melhoras no desempenho sustentável do projeto, mas que não tenha grandes custos ao proprietário. Dessa maneira, se pode conseguir a certificação em grande escala.

Kristtian Rada, líder do Programa de Cidades e Negócios
Sustentáveis para a América Latina e Caribe do IFC
O software consegue quantificar os benefícios ao meio ambiente da obra?

K.R. – Sim, o software quantifica as toneladas de CO² que foram emitidas no meio ambiente e a redução do custo operacional do edifício, com a redução do consumo de água e energia.

O IFC está promovendo o software em 125 países emergentes. Quais são os mercados que mais valorizam a certificação EDGE?

K.R. – Os mercados que mais valorizam a certificação EDGE são justamente países em desenvolvimento. É uma certificação que pretende alcançar um grande impacto em países onde outros tipos de certificação são difíceis de alcançar – como o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). Podemos ver exemplos em Filipinas, Indonésia, África do Sul, e, no caso latino-americano, estamos promovendo a certificação em 5 países.


Quais são os resultados dos mercados que já estão utilizando o software EDGE?

K.R. – O EDGE já vem demonstrando que certificar um edifício verde é possível e não envolve custo adicional. O IFC já vem promovendo investimentos no Green Building de mais de 1 bilhão de dólares em nível global e tem apoiado os governos com as normas de regulação, como foi feito com o Código da Construção Verde na Colômbia.

Qual é o próximo passo do IFC para a divulgação da certificação no Brasil?

K.R. – O Brasil é um mercado muito importante para o EDGE, onde atualmente estamos trabalhando com sócios globais (GBCI e SGS). Agora estamos buscando aliados brasileiros que demonstrem capacidade técnica e conhecimento do mercado para promover a certificação EDGE no Brasil.

O software EDGE é gratuito, mas haverá algum tipo de curso para que as empresas brasileiras possam melhor utilizá-lo? 

K.R. – O efeito do software é gratuito e pretendemos organizar workshops técnicos sobre a ferramenta para promover sua difusão em médio prazo.

Para entender melhor sobre a certificação e verificar as possibilidades de implantação, clique aqui.


Energia para aprender

Por Carla Mendes, para o Procel Info, publicado em 30.09.16

São Paulo - Projeto mostra aos futuros prefeitos os benefícios de instalar placas fotovoltaicas em escolas e reverter economia para o município

Reduzir em mais de 50% o gasto com energia elétrica da rede municipal de ensino e, ao mesmo tempo levar consciência ambiental aos alunos. Estes são os principais objetivos do projeto de solarização de escolas municipais idealizado e implementado pelo Greenpeace em duas escolas, uma em São Paulo e outra em Uberlândia.

A ideia da ação é de que o telhado das escolas seja utilizado para gerar energia elétrica e que o dinheiro do pagamento da eletricidade seja economizado e poderia ser revertido em melhorias educacionais ou em outras prioridades da cidade. Uma ação importante, principalmente em tempos de crise. Além disso, ao solarizar escolas podemos aquecer a economia local, aumentando a arrecadação de impostos e a geração de empregos.

Aproveitando o ensejo das eleições municipais – que acontecem neste domingo – e o fato de que hoje mais de 50% das escolas brasileiras são municipais, o Greenpeace viu uma oportunidade de alavancar o projeto, mostrando aos futuros governantes os reais benefícios da solarização nas escolas, sempre tomando como base os resultados efetivos obtidos em São Paulo e Uberlândia.

O momento eleitoral é visto como uma oportunidade de tentar ter uma promessa do candidato de aplicar o projeto e levantar o tema na sociedade como um todo. A coordenadora campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, Bárbara Rubim, afirma que sempre que o Greenpeace citava o projeto em audiências públicas no Congresso Nacional era percebido um grande interesse político no projeto, pois ele une duas coisas muito positivas: a energia renovável aliada à sustentabilidade e a melhoria na educação.

”O momento eleitoral é visto como uma oportunidade de ter uma promessa do candidato de aplicar o projeto e divulgar o tema em toda a sociedade”.

Início do projeto
A ideia da solarização das escolas surgiu quando o Greenpeace fez, em 2015, um financiamento coletivo para a instalação de placas solares em duas escolas públicas, uma em Uberlândia e outra de São Paulo. O resultado foi muito positivo, sobretudo na escola municipal Milton Magalhães Porto, em Uberlândia, não somente porque a escola já economizou cerca de R$ 15 mil desde a instalação do sistema, mas devido ao impacto forte ocorrido na educação e conscientização ambiental de professores e alunos.


“O projeto pode ser aplicado em qualquer tipo de instituição escolar, mas como neste ano existe o contexto das eleições municipais, o Greenpeace está fazendo este trabalho com os candidatos às prefeituras”, destaca Bárbara. Segundo ela, os resultados alcançados no projeto em Uberlândia foram até melhores do que o esperado e o investimento de R$ 75 mil deve ser retornado em cinco anos.

No processo de escolha do local que iria receber o projeto, o Greenpeace pensou em hospitais, praças, casas de celebridades, dentre outros, até que chegou à conclusão de que instalar painéis solares em escolas seria a melhor opção “não somente pela educação ambiental mas também porque de todas as estruturas sociais, elas são realmente o lugar que mais congrega atores-chave de uma sociedade: os professores, as crianças, os pais e o governo”, afirma Bárbara.

Quando o projeto foi concebido, ocorria uma discussão política acerca da isenção de ICMS na microgeração e o Greenpeace começou um processo de pressão para que o governo de São Paulo aderisse à essa isenção. Segundo Rubim, os idealizadores queriam mostrar o impacto econômico que a isenção poderia significar no rendimento de um sistema fotovoltaico. “Por isso escolhemos fazer em uma escola de São Paulo (Oswaldo Cruz), que era um estado que não tinha dado a isenção mas que sabemos de sua relevância político-econômica, e uma outra escola no único estado que já tinha dado a isenção, que era Minas Gerais”, explica. A escolha de Uberlândia se deu porque a cidade já se mostrava como um lugar que despontava para o uso da energia solar, pelo número de sistemas instalados.

A primeira abordagem é feita através da Secretaria Municipal, que se articula com os órgãos da prefeitura que precisam ser comunicados – Secretaria de Obras, de Infraestrutura – e que faz a ponte com a escola. Após a aprovação da iniciativa pela prefeitura, foram visitadas mais de dez escolas e a Milton Porto foi a que reuniu mais fatores, como uma boa estrutura física para o sistema, quanto a localização em um bairro considerado carente. A ideia era levar o projeto a uma região que teria um pouco mais de dificuldade de acesso a esta tecnologia. Bárbara destaca a total abertura da diretoria da escola ao receber a ideia e também os multiplicadores solares e os treinamentos que eles traziam.
  

Custo de instalação

Em relação ao custo da realização do projeto, o Greenpeace estabeleceu um teto quando da idealização do piloto, mas segundo Bárbara a adequação do orçamento irá depender da necessidade de cada escola. A média usada para as escolas é de uma mini-usina de 10 kW, que custa em torno de R$ 70 mil. Para uma escola que tenha entre 700 e 900 alunos este é um sistema que seria capaz de suprir entre 60% e 70% do consumo e, por consequência, do gasto com energia. Nos estados em que há a isenção do ICMS esta relação é proporcional, mas onde não há, o gasto ainda é um pouco maior devido à necessidade de se pagar o imposto (em média 15%).


A verba para o projeto-piloto foi arrecadada por meio de um financiamento coletivo feito através de plataformas próprias para este processo. É uma campanha baseada em doação de pessoas físicas, pois o Greenpeace não arrecada dinheiro de pessoas jurídicas. O governo não destina dinheiro ao projeto, mas a isenção do ICMS já é um fator bastante positivo para a viabilidade financeira.

O Greenpeace fez o projeto-piloto e agora trabalha para transformá-lo em uma política pública. No fim de 2015 as escolas solares foram incluídas na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016, o que abre uma possibilidade maior de destinação de recursos federais para a realização do projeto no âmbito das prefeituras. “O que a gente quer é que em algum momento o Greenpeace possa sair dessa equação, pois se o projeto é sempre feito com base em doação, ele não é replicável”.

Bárbara ressalta que, além disso, a instituição também tem trabalhado com emendas parlamentares que podem destinar parte dos recursos recebidos anualmente do Congresso para realizar este tipo de ação, mas, neste caso, a verba vai direto para a prefeitura, que se torna completamente responsável pela execução do projeto.

“A isenção de ICMS no estado de São Paulo veio em maio de 2015 e hoje, além de São Paulo, 22 estados já praticam a isenção” 

O foco nas eleições municipais é para trazer aos candidatos o foco da transformação da ação de solarização nas escolas em política pública para o mandato. A partir do momento em que houver o comprometimento do futuro prefeito, constando no plano de meta do governo municipal, o Greenpeace atua como uma ajuda na seleção das escolas, dimensionamento do sistema e suporte de informações sobre formas de conseguir financiamento necessário.

O objetivo do Greenpeace é instalar painéis solares em 70% das escolas municipais, gradualmente, ano a ano. Esses 30% restantes podem não receber o projeto por falta de infraestrutura ou sombreamento do telhado, por exemplo. A ideia é começar de uma forma mais lenta e aproveitar a economia gerada pelo sucesso dos primeiros casos para alimentar um fundo que possibilite o desenvolvimento de projetos futuros.

No projeto-piloto de Uberlândia, a empresa Alsol, em parceria com o Greenpeace, não só instalou os painéis como também doou quatro dos 48 painéis usados na escola. Entretanto, no caso do projeto virar política pública, a escolha da empresa seria feita mediante licitação.

O retorno do investimento no sistema fotovoltaico é de cinco a sete anos no Brasil, em média. Em Uberlândia a previsão é que o tempo seja de cinco anos já que o estado de Minas Gerais assim como o da Bahia, como ressalta Bárbara, possuem tarifas altas. Fora que a longevidade desses sistemas é de 25 anos.

Finalizando, ela diz que não há tantas barreiras para a implementação do projeto de solarização como política pública, é realmente mais a vontade política. “É uma fonte bastante versátil neste sentido”, conclui.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Sustentabilidade na Califórnia: Políticas Públicas e Green Building

Los Angeles recebeu, entre os dias 03 e 07 de outubro, a edição deste ano da GreenBuild Conference & Expo, promovida pelo USGBC e um dos dois maiores eventos de Construção Sustentável do mundo. Mais conhecida por seus engarramentos e as celebridades que a habitam, Los Angeles vem também dando alguns exemplos em se tratando de políticas públicas para a sustentabilidade e Green Building.

Para melhor orientar os participantes da delegação brasileira para o evento, promovida pelo Dep. de Comércio dos EUA no Brasil, com organização da ArqTours e apoio da EcoBuilding, preparamos um material do qual faz parte este artigo, que imagino poderá interessar aos colegas.

Sustentabilidade em Los Angeles

Los Angeles é 2ª maior cidade dos EUA e capital econômica do Estado da Califórnia (a capital política é Sacramento), que é o mais rico e de maior renda per-capita do país que tem a maior economia do planeta. Trata-se de uma economia que é maior do que a do Brasil e a 6a do mundo em 2015, se fosse um país independente.

Pode-se considerar que é até compreensível que as pessoas, em geral, não tenham a conservação e o uso eficiente dos recursos como uma prioridade, não é mesmo?

Pois, na prática, o que ocorre é que as recentes crises da oferta de água em toda a Califórnia, relacionadas com as secas no regime hídrico local, mas também decorrentes do aumento do consumo, somadas ao aumento do custo da energia e pressões para reduções da poluição e das emissões de gases de efeito estufa, têm feito muitos hábitos mudarem.

Diferentemente da região norte do estado, liderada pelas iniciativas adotadas pioneiramente em São Francisco, a região sul da Califórnia, não tinha, até recentemente, políticas públicas de incentivos à sustentabilidade e redução dos impactos ambientais. Algo precisava ser feito a respeito.

Políticas Públicas para a Construção Sustentável

Em resposta a estas questões, em abril de 2008, no “Dia da Terra”, o Los Angeles City Council aprovou unanimamente uma nova legislação para a construção sustentável que trouxe uma mudança significativa em direção a uma política de regulamentação orientada ao mercado de forma econômica e ambientalmente viável.

A nova legislação prometia cortar em milhões de toneladas as emissões de poluentes na década seguinte. A lei exige que os novos edifícios comerciais e grandes empreendimentos residenciais com mais de 50.000 pés quadrados (aprox. 4.600 m2) atendam aos padrões LEED, incluindo paisagismo resistentes à seca, utilização de materiais reciclados e uso eficiente de energia para aquecimento, refrigeração e iluminação. Isso fez de LA a última das primeiras 14 cidades dos Estados Unidos que têm exigido de promotores privados atender práticas de construção mais sustentáveis.

Este esforço legislativo foi em grande parte estimulado por dois relatórios inovadores publicados meses antes: o relatório “Green Building in North America: Opportunities and Challenges”, da CEC - Commission for Environmental Cooperation, e o relatório de análise comparativa de empreendimentos sustentáveis da CoStar, entidade privada dedicada à promoção do mercado imobiliário.
O estudo da CEC constatou que “a promoção da sustentabilidade na construção, renovação e operação de edifícios poderia reduzir as emissões norte-americanas de gases de efeito estufa que estão alimentando as mudanças climáticas mais profundamente e de forma mais rápida e barata do que qualquer outra medida disponível”.

O estudo de dois anos reuniu um grupo internacional de arquitetos, incorporadores, especialistas em energia e sustentabilidade e representantes governamentais locais e nacionais para explorar o potencial e as potencialidades da sustentabilidade em nosso ambiente construído.


Na  esteira deste relatório, vem o da CoStar, um verdadeiro atestado em favor da viabilidade econômica do LEED e do Energy Star (programa de etiquetagem de eficiência energética das edificações, semelhante ao nosso PBE Edifica), em comparação com estruturas não-certificadas, afirmando que os edifícios certificados consistentemente superam os seus pares em termos de taxas de ocupação, preços de venda e taxas de locação, com a demanda superando agora, a sua oferta.



O estudo analisou cerca de 1.300 edifícios certificados LEED e Energy Star (351 milhões de pés quadrados / 32,5 milhões de m2) e comparou-os com propriedades não-verdes similares em tamanho, localização, classe e idade. Os resultados foram incríveis:


A) Edifícios LEED são vendidos por US$ 171 a mais por pé quadrado, alugados por US$ 11,24 por pé quadrado a mais, e têm taxas de ocupação 3,8% mais elevadas.

·   B) Edifícios certificados Energy Star mostraram estatísticas semelhantes, vendido por US$ 61 a mais por pé quadrado, e alugados por US$ 2,38 a mais por pé quadrado, com taxas de ocupação 3,6% mais altas.

Embora edifícios sustentáveis possam demandar um investimento inicial maior, os relatórios recentes e mudanças políticas demonstram que a rentabilidade e valorização além da otimização de custos de operação, compensam essa despesa e representam incentivo econômico consistente para a sua construção. Estas condições reforçam a máxima do consultor de sustentabilidade Charles Lockwood de que os edifícios não-verdes em breve estarão obsoletos.

CALGreen

No mesmo ano, 2008, durante a gestão do então Governador Arnold Schwarzenegger, o Estado da Califórnia aprovou o California Green Building Standards Code (CGBC), que traz diretrizes de sustentabilidade para a construção de edifícios públicos estatais ou alugados pelo Estado, bem como edifícios comerciais e residenciais e foi a base para o atual marco regulatório local, aprovado em 2010, o CALGreen Code, primeira regulamentação de âmbito estudual para a construção sustentável nos EUA.

O então Gov. Arnold Schwarzenegger visita instalação de
estúdio de cinema com sistemas solares em Holywood, em 2010.
O CALGreen 2010 considera em suas avaliações de regulação métodos prescritivos (são fornecidas as características técnicas que têm de ser atendidas na construção de novos edifícios).

O objetivo é melhorar a saúde pública, a segurança e bem-estar geral, reforçando a concepção e construção de edifícios através da utilização de conceitos de construção com impacto reduzido negativo ou impacto ambiental positivo. As práticas de construção sustentável encorajadas são agrupadas nas seguintes categorias: 

1. Planejamento e Projeto
2. Eficiência energética
3. Eficiência da água e conservação
4. Conservação de materiais e eficiência dos recursos
5. Qualidade Ambiental

Para alcançar CALGreen Nível 1, as instalações devem cumprir com a última edição do


"Savings By Design, Healthcare Modeling Procedures". Para alcançar CALGreen Nível 2, os edifícios deve exceder a última edição do mesmo documento, em pelo menos 15%.
alcançar CALGreen Nível 2, os edifícios deve exceder a última edição do mesmodocumento, em pelo menos 15%.

O “Savings By Design Healthcare Modeling Procedures” é um documento elaborado pela Pacific Gas and Electric Company and Southern California Edison, que apresenta uma ferramenta para orientar equipes de projetos a estimar o consumo base de energia de edifícios, assim como o consumo esperado para um caso proposto.

The “pLAn”

A sustentabilidade é também uma prioridade para o prefeito de Los Angeles Eric Garcetti (eleito em 2013 para um mandato de 4 anos), que estabeleceu uma meta de "criar uma cidade habitável e sustentável". O prefeito está empenhado em tornar a sustentabilidade um valor fundamental em todos os departamentos da cidade, incluindo a maior empresa de serviços públicos municipais do país (o Departamento de Águas e Energia), o maior porto e o terceiro maior aeroporto dos EUA.

Em 2015, o prefeito lançou um plano de sustentabilidade e um painel público de desempenho previsto para garantir o uso racional dos recursos limitados do município. A cidade divulgou a iniciativa por meio de uma publicação de 105 páginas chamada "The pLAn" (incorporando a sigla “LA” no título), que é acompanhada por um painel informativo na internet que apresenta em tempo real os resultados atingidos em relação aos seus objetivos econômicos e ambientais.

Dentre os indicadores monitorados, atenção especial é dedicada ao assunto do uso da água, uma questão crítica para a cidade, tais como: a compra de água importada, consumo médio per capita de água e a percentagem de água de origem local - atualmente em 15%. A meta é chegar a 50% em 2035.

Dentre os objetivos de curto prazo do plano, destinados para a conclusão em 2017 (antes do fim do mandato, portanto), estão esforços para estabelecer um sistema de compartilhamento de bicicletas com 65 estações, para criar 20.000 empregos verdes, adicionar 1.000 estações de carregamento de veículos eléctricos e mais que o triplo de energia solar da cidade – a capacidade instalada é atualmente de 132 megawatts, com uma meta de 400 megawatts em 2017.

A longo prazo, Los Angeles tem uma agenda igualmente ambiciosa. Garcetti acredita que a cidade pode aumentar a capacidade instalada de sistemas de energia solar para fornecer energia para 400.000 casas até 2035. Da mesma forma, a cidade está trabalhando para diminuir o  sobrecarregamento do custo da habitação na renda das famílias - famílias que pagam 30% ou mais da renda em aluguel - em 10 pontos percentuais até 2025.

Para as reduções das emissões de gases de efeito estufa, a meta é reduzir em 80% até 2050. Não é pouco. No Estado da Califórnia, a maior parte da energia consumida ainda é produzida em usinas térmicas a gás (44%) e carvão (6%). Usinas solares e eólicas representam 14% da matriz energética. Usinas nucleares (9%), hidrelétricas (5%), geotérmicas (4%) e de biomassa (2,5%) também contribuem para atender à demanda do Estado.

Os planos do profeito Eric Garcetti para Los Angeles são ambiciosos e tão grandes como ela própria.
Seguem alguns indicadores e metas de desempenho previstas pelo “The pLAn”:

Água:

Energia:


 Gases de Efeito Estufa:
Resíduos:
Green LA

Com tudo isto, são perceptíveis hoje em Los Angeles os efeitos das regulamentações e incentivos locais à construção sustentável. Com algo como 2.000 green buildings e contando, Los Angeles tem se destacado como uma das cidades mais progressistas dos EUA em se tratando de construção sustentável.
“Atualmente, LA tem de fato liderado a mudança e muitas evoluções que estamos vendo no CALGreen em nível estadual estão surgindo através de algumas das coisas que a cidade de LA foi realmente empurrando", disse Anthony Brower, diretor de design sustentável no escritório de Los Angeles da Gensler, uma empresa de design global.

Imagem do centro de LA, com inserção eletrônica
(à esquerda) do Wilshire Grand Center, 
novo marco no skyline da cidade, a ser concluído em 2017
O California Green Building Standards Code, ou CALGreen, estabeleceu um ponto de referência claro para energia e eficiência da água, planejamento e design, qualidade ambiental e conservação de materiais para construção civil, na Califórnia.

Foi a primeira regulamentação para a construção sustentável em nível estadual nos EUA e foi desenvolvida para melhorar a saúde pública e ambiental, incentivando práticas de construção sustentáveis, com baixo impacto ambiental.

Há, contudo, uma grande quantidade de prescrições normativas básicas para serem adotadas em cada novo edifício ou renovação no estado, que cada município pode optar por apenas aceitar como um ponto de partida ou podem adicionar seus próprios requisitos ou ainda tornar alguns desses requisitos básicos um pouco mais rigorosos para aquela municipalidade.

Trata-se, portanto, de um sistema que segue evoluindoPodemos esperar novidades no futuro.

Na volta desta missão técnica para a GreenBuild Los Angeles devo compartilhar mais algumas impressões a respeito.

Até breve.